terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

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Eram quase quatro horas da manhã quando Eisner abriu os olhos, que estavam fechados há vários segundos. Foram alguns segundos em que o garoto ficou de olhos fechados bem no centro da cidade, mas quando os abriu, foi como se tivesse acordado de uma boa noite de sono. A noite acabou. À frente de Eisner, encontrava-se o Obelisco da Praça Sete, com uma iluminação matutina beirando a macabra. Ele olhou pra trás. Não que seu corpo tivesse se movimentado muito, ele apenas girou a cabeça e olhou pra trás. Seus amigos estavam na calçada, com garrafas de vinho e latinhas de cervejas, todas vazias. Eles estavam bêbados, e Eisner também estava, mas ele ficava bêbado de um jeito diferente dos demais. Quando ele bebia, era como se ficasse transcendental, e isso o permitia ver as coisas sobre um ponto de vista diferente. O Obelisco por exemplo não era apenas um obelisco.
Era como se fosse uma grande muralha, enquanto a Praça Sete era como se fosse sua própria existência.
Havia algo de errado com a sua existência, e Eisner sabia disso. Historicamente, ele era incoerente. Em outros tempos, quando mais criança, quando mais adolescente, Eisner não era nada, mas agora que já era um jovem ele era alguma coisa. Ficou contente ao observar isso, mas essa incoerência, a desarmonia dos seus desejos com as suas atitudes o incomodava. Porque Eisner traçou suas ambições pessoais, e sabia exatamente o que queria da vida. Ela seria plana, correta, tranquila. Mas algo era diferente dentro dele, talvez um desejo. E era forte demais.
Eisner se sentou, no meio da avenida Afonso Pena. Ninguém poderia se sentar no meio da Afonso Pena durante o dia, mas na madrugada, as pessoas podem fazer o que quiserem, embora a maioria não faça nada, pois estão dormindo. Por fim, Eisner se sentou e percebeu que na sua mão direita tinha um cigarro. Ele deu um trago, levantou a cabeça e olhou novamente para o Obelisco.
- São oitenta e sete anos de história, bem na sua frente, sabe?! - falou pra si mesmo.
Finalmente deixou sair a fumaça do cigarro. Ela se espalhou pelo ar da cidade e ali permaneceu durante um dia inteiro. Enquanto as pessoas passavam a pé, de carro ou de ônibus, em plena a avenida Afonso Pena, podia-se ouvir um lamento que provinha da fumaça do cigarro de Eisner, e as pessoas ouviam aquilo mas não poderiam entender jamais.

Um comentário:

Almir SJ disse...

muito bom cara
talvez um livro futuramente?