Eram por valta de onze horas da manhã, e alguns amigos de Eisner estavam com ele no ônibus, se dirigindo ao shopping center pra assistir ao lançamento do Charlie Kauffman. Estavam todos bem contentes naquele dia, inclusive Eisner, pois era a pré-estréia do filme e haviam fortes boatos de que o próprio Kauffman estaria presente na sessão. Durante a viagem, no entando, o assunto da conversa variou bastante, até chegar na vida pessoal de Eisner.
- Você a ama? - perguntou um dos seus amigos.
- Não sei. - respondeu.
- Como você não sabe?
- Bom, pra falar a verdade eu não acredito no amor.
- Você é louco?
- Acho que não.
- Como você pode não acreditar no amor?
- Bom, na verdade eu acho que eu acredito. Acho que eu não acredito no amor entre um homem e uma mulher.
- Por quê?
- Bom, não me parece ser amor.
- O que é amor pra você?
- Cara, isso é difícil. Você não pode colocar o amor em palavras, você pode apenas sentí-lo. Acho que se existem alguns termos que se aproximam do que a gente sente quando se ama alguém, esses podem ser: contemplação, admiração, compania. Acho que se você precisa de algo além do próprio estar pra satisfazer a sua idéia de amor, então não é amor de verdade. É apenas atração. E o que é o suposto 'amor' entre um homem e uma mulher se não atração puramente física, sexual?
- É uma visão e tanto, Eisner.
- Eu sei. Mas não me julgue, é apenas algo em que acredito. Por isso, não, eu não a amo. Mas isso não é o mais importante. Na verdade eu nem sinto nada em relação a ela.
- Você não gosta dela?
- Não.
- Então porque vocês estão namorando?
- Não sei se é porque eu preciso manter uma certa imagem, ou se eu tenho esperança que, com uma namorada alguma garota pela qual eu realmente sentirei alguma coisa passará a se interessar por mim ou se é porque eu a uso para ficar perto de alguém.
- De quem?
- De uma pessoa que eu amo.
- E você não poderia estar com essa pessoa sem namorá-la?
- Não. Mas não me julgue.
- Não vou, mas eu não entendo.
- Eu também não. Não gostaria que fosse assim, mas é assim que é. E também não acho que alguém vá, um dia, chegar perto de compreender. Você vê uma senhora de setenta anos subindo um morro enorme, andando quilometros com uma bíblia debaixo do braço e você a julga.
- Eisner, assim com essa senhora, você acredita em Deus?
- Sim. Mas não me julgue.
Era proibido fumar dentro daquele ônibus, mas Eisner fumava mesmo assim. Ele tomou um gole da vodka smirnoff e suspirou. Sinédoque, Eisner.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
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