sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
segunda-feira, 1 de junho de 2009
FOR MY SON, THE GIFT THAT MAKES ME A BOY AGAIN parte 2
Eisner e Julian e Alex acabavam de sair da Floriculture, onde os dois jovens renovaram o estoque semanal da proibidíssima Soma, um tipo de mistura alucinógena que havia conquistado a classe-média alta da cidade, quando resolveram parar em um trailer (o segundo naquele dia) para renovar as energias.
- Aristóteles estava errado: nem só de soma vive o homem, disse Alex.
Eram seis e meia da manhã de sábado, e Eisner estava tendo um começo de final de semana difícil. Todas as sextas ele fica com a responsabilidade de olhar Julian, mas os pais do garoto costumam chegar às onze horas da noite. Mas por causa de um assalto, o pai de Julian acabou parando no hospital, o que fez com que Julian ficasse sob a guarda de Eisner por algumas horas a mais.
Eles comeram e beberam soda e conversaram e Alex chegou a cochilar à mesa e depois decidiram ir embora. Eles atravessaram a rua e andaram um pouco em direção ao carro de Eisner, mas antes pudessem chegar ao veículo, uma senhora com cabelos loiros e curtos que usava óculos escuros e um belo casaco-sobretudo foi em direção a eles.
- Desculpe, rapaz, mas você pode me informar as horas?, disse a senhora se dirigindo a Eisner
- Não tenho., respondeu Eisner educadamente.
Os dois jovens e o garoto continuaram em direção ao carro, mas a senhora insistiu.
- Ora, vocês são jovens. Eu realmente preciso saber as horas e parece que todas as pessoas da cidade estão ocupadas demais em um sábado de manhã para informá-las. Você deve ter um celular, sim?, ela se dirigiu a Eisner novamente.
- Tudo bem., e Eisner enfiou a mão no bolso a procura do celular.
Enquanto Eisner procurava o telefone, a senhora finalmente tirou os olhos dele e olhou para Julian, com um sorriso sincero no rosto.
- É seu irmão?
- Sim., respondeu Eisner.
- Que garoto lindo.
Eisner tentava tirar o celular do bolso e nisso Alex percebeu que por trás dos óculos escuros da senhora, dois feixes de lágrimas escorriam pelo seu rosto de 44 anos. Ela ainda olhava para Julian, quando levou uma das mãos ao rosto, tapando a boca.
- A senhora tá bem?, perguntou Alex.
Como se a senhora voltasse a si, ela levantou a cabeça e saiu rapidamente, indo na direção oposta de Eisner, Alex e Julian. Os três acharam estranho, entraram no carro e estavam indo a caminho do hospital onde o baleado pai de Julian ansiava pela compania de seus dois filhos, que estavam sob a responsabilidade de Eisner.
- Aristóteles estava errado: nem só de soma vive o homem, disse Alex.
Eram seis e meia da manhã de sábado, e Eisner estava tendo um começo de final de semana difícil. Todas as sextas ele fica com a responsabilidade de olhar Julian, mas os pais do garoto costumam chegar às onze horas da noite. Mas por causa de um assalto, o pai de Julian acabou parando no hospital, o que fez com que Julian ficasse sob a guarda de Eisner por algumas horas a mais.
Eles comeram e beberam soda e conversaram e Alex chegou a cochilar à mesa e depois decidiram ir embora. Eles atravessaram a rua e andaram um pouco em direção ao carro de Eisner, mas antes pudessem chegar ao veículo, uma senhora com cabelos loiros e curtos que usava óculos escuros e um belo casaco-sobretudo foi em direção a eles.
- Desculpe, rapaz, mas você pode me informar as horas?, disse a senhora se dirigindo a Eisner
- Não tenho., respondeu Eisner educadamente.
Os dois jovens e o garoto continuaram em direção ao carro, mas a senhora insistiu.
- Ora, vocês são jovens. Eu realmente preciso saber as horas e parece que todas as pessoas da cidade estão ocupadas demais em um sábado de manhã para informá-las. Você deve ter um celular, sim?, ela se dirigiu a Eisner novamente.
- Tudo bem., e Eisner enfiou a mão no bolso a procura do celular.
Enquanto Eisner procurava o telefone, a senhora finalmente tirou os olhos dele e olhou para Julian, com um sorriso sincero no rosto.
- É seu irmão?
- Sim., respondeu Eisner.
- Que garoto lindo.
Eisner tentava tirar o celular do bolso e nisso Alex percebeu que por trás dos óculos escuros da senhora, dois feixes de lágrimas escorriam pelo seu rosto de 44 anos. Ela ainda olhava para Julian, quando levou uma das mãos ao rosto, tapando a boca.
- A senhora tá bem?, perguntou Alex.
Como se a senhora voltasse a si, ela levantou a cabeça e saiu rapidamente, indo na direção oposta de Eisner, Alex e Julian. Os três acharam estranho, entraram no carro e estavam indo a caminho do hospital onde o baleado pai de Julian ansiava pela compania de seus dois filhos, que estavam sob a responsabilidade de Eisner.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
SUCH FAIRY CONFECTIONS AS CHILDREN DREAM OF
Kattie estudava medicina, primeiro ano, praticamente apenas teoria (Kattie não estava exatamente examinando cadáveres ainda, um dos motivos pelos quais ela entrou no curso de medicina, para começo de conversa). As aulas não eram exatamente interessantes, mas diabos!, estar imersa naquela atmosfera estudantil, inspirando juventude e expirando inconsequência. Kattie não ia para as aulas, ela ia para a universidade. Observar as pessoas conversando simplesmente a deixava fascinada. Ela reparava em tudo: do modo despreocupado como o pessoal costuma se sentar à grama ao movimento leve e espontâneo dos garotos e garotas fumando o cigarro, que dificilmente seria aquele vendido nas paradarias.
Kattie estudava medicina e sua aula havia terminado. Ela estava de pê à calçada esperando alguém. Ela tinha planos para aquele dia. Iria esperar pela carona para dirigir-se ao shopping. Pessoas legais estariam lá. Ventava. Ventava forte. Ela se lembrou que estava daquele jeito desde a hora em que saiu de casa.
Olhou para a esquerda; ninguém. Olhou para a direita; ninguém. Olhou para trás enquanto abria sua bolsa; ninguém. Voltou a olhar para a frente enquanto tirava um compacto estojo de maquiagens - apenas as absolutamente necessárias - da sua bolsa; não havia ninguém especificamente também, apenas carros passando alheios aos seus movimentos. Kattie abriu o estojo, se olhou no espelho, verificou que a maquiagem estava adequada ao que se esperava, mas retocou os lábios com batom vermelho e finalmente atrapalhou levemente o cabelo.
Eisner chegou. Parou o carro em frente a ela e desceu. Ele sorriu.
- Bom dia.
- Bom dia, Eisner. 20 minutos.
- Bom, eu acordei só agora...
- Não, 20 minutos é o tempo que nós temos para chegarmos ao Cittie.
- Sem problemas, então. Entra aí, Kat. - e ela entrou.
Depois de dar a partida, Eisner ligou o som do carro e conectou a ele o seu MP3 Player. Estava tocando PARTY GOES WILD, uma das bandas favoritas dos dois. Eles ouviram e cantaram juntos 'You only live once' e outras cinco músicas até chegaram ao Cittie, onde haviam muitas pessoas jovens reunidas.
Kattie estudava medicina e sua aula havia terminado. Ela estava de pê à calçada esperando alguém. Ela tinha planos para aquele dia. Iria esperar pela carona para dirigir-se ao shopping. Pessoas legais estariam lá. Ventava. Ventava forte. Ela se lembrou que estava daquele jeito desde a hora em que saiu de casa.
Olhou para a esquerda; ninguém. Olhou para a direita; ninguém. Olhou para trás enquanto abria sua bolsa; ninguém. Voltou a olhar para a frente enquanto tirava um compacto estojo de maquiagens - apenas as absolutamente necessárias - da sua bolsa; não havia ninguém especificamente também, apenas carros passando alheios aos seus movimentos. Kattie abriu o estojo, se olhou no espelho, verificou que a maquiagem estava adequada ao que se esperava, mas retocou os lábios com batom vermelho e finalmente atrapalhou levemente o cabelo.
Eisner chegou. Parou o carro em frente a ela e desceu. Ele sorriu.
- Bom dia.
- Bom dia, Eisner. 20 minutos.
- Bom, eu acordei só agora...
- Não, 20 minutos é o tempo que nós temos para chegarmos ao Cittie.
- Sem problemas, então. Entra aí, Kat. - e ela entrou.
Depois de dar a partida, Eisner ligou o som do carro e conectou a ele o seu MP3 Player. Estava tocando PARTY GOES WILD, uma das bandas favoritas dos dois. Eles ouviram e cantaram juntos 'You only live once' e outras cinco músicas até chegaram ao Cittie, onde haviam muitas pessoas jovens reunidas.
sábado, 2 de maio de 2009
ALMOST EVERYONE APPRECIATES THE BEST
Desde pequeno, Johann sempre fora um garoto complicado e incompreendido pelos seus pais. Aos onze anos de idade, ele fora flagrado com um pacote de marijuana na escola, fato que acarretou uma inevitável expulsão de um dos colégios mais tradicionais da cidade de Nova York. Um misto de fúria, vergonha, e impotência fizeram com que seu pai, um respeitado empresário no meio de modas, o enviasse para um colégio católico interno na Suiça. Com claras dificuldades para se adaptar às regras repressivas do local, Johann assumiu um comportamento exorbitantemente rebelde, em relação a colegas, professores e coordenadores - bispos e padres - do local.
Apesar disso, Johann desenvolveu fortes laços de amizade com duas pessoas daquele universo. A primeira, seu futuro companheiro de banda, Karismaki. A segunda, o zelador noturno chamado Greggory. Em uma das dolorosas noites naquele lugar, Johann foi acordado por pedras batendo na janela do seu quarto. Era o zelador.
- O que foi, Greg?
- Desça aqui embaixo, garoto. Tenho um presente pra te entregar.
O zelador não era tão velho. Tinha lá os seus trinta anos, andava sempre com um macacão bege. Era magro, tinha olhos e cabelos negros, andava sempre com a barba malfeita e muito, muito sujo.
- O que você tem, Greg?
- Eu estou indo embora, Johann. Vou fazer minha grande escapada.
- Uau. Por quê? Pra onde você vai?
- Vou pra América do Sul. Recebi uma oferta irrecusável de um trabalho lá. Vou sentir sua falta, garoto. Sua subverssão fez bem pra mim, durante os meses que passamos juntos nesse ninho de gente louca.
- O que você trouxe pra mim?
- Bem, acho que posso dizer que é a minha última subverssão nesse lugar. Te trouxe champagne, duas taças, um isqueiro e um maço de Camel Lights, boa qualidade. Chame aquele pateta do seu amigo e vão aproveitar a noite juntos. Eu estou indo agora.
- O que o velho Blight disse sobre você estar indo embora?
(velho Blight é como os três, Johann, Greggory e Karismaki chamam do reverendo Peter Betty, o bisco diretor do colégio)
- Eu não disse pra ele, Johann Eu vou abandonar o emprego. Simplesmente sair sem avisar pra ninguém.
- Por quê?
- Bem, Johann. Eu não sei. Talvez alguém realmente vá sentir a minha falta. Talvez seja porque eu não acredito que faça diferença eu falar com Blight ou não. Mas acima de tudo, acho que é porque eu tenho esse espírito de revelia.
- Revelia?
- Sim, Johann! De ir contra as regras, contra as pessoas. Eu acho que eu sou assim. E você definitivamente é assim, Johann. E não reprima isso.
Johann subiu, foi até o quarto de Karismaki e juntos, correram para o quarto de Johann. Entraram, fecharam a porta, Johann abriu a caixa, tirou o chanpagne, abriu-o, serviu as duas taças, entregou uma delas para Karismaki, abriu o maço de cigarros, tirou um deles, acendeu, entregou-o para Karismaki, pegou outro, acendeu e saboreou sua taça de chanpagne. Tinha gosto de alcóol (Johann conhecia esse gosto muito bem), maça, e poder. Johann estava ergendo o copo em direção a sua boca quando o reverendo Betty abriu repentinamente a porta do quarto. Karismaki, em um gesto automático, levou a mão com o cigarro para suas costas e deixou cair a taça de chanpagne. Johann por outro lado, cumpriu seu objetivo primário: levou um pouco da bebida para a boca. O reverendo, ao ver a atitude de Johann ficou absolutamente perplexo e gritou:
- Johann!
Johann não havia engolido o chanpagne que levara anteriormente a sua boca. Cuspiu-o completamente no reverendo.
Apesar disso, Johann desenvolveu fortes laços de amizade com duas pessoas daquele universo. A primeira, seu futuro companheiro de banda, Karismaki. A segunda, o zelador noturno chamado Greggory. Em uma das dolorosas noites naquele lugar, Johann foi acordado por pedras batendo na janela do seu quarto. Era o zelador.
- O que foi, Greg?
- Desça aqui embaixo, garoto. Tenho um presente pra te entregar.
O zelador não era tão velho. Tinha lá os seus trinta anos, andava sempre com um macacão bege. Era magro, tinha olhos e cabelos negros, andava sempre com a barba malfeita e muito, muito sujo.
- O que você tem, Greg?
- Eu estou indo embora, Johann. Vou fazer minha grande escapada.
- Uau. Por quê? Pra onde você vai?
- Vou pra América do Sul. Recebi uma oferta irrecusável de um trabalho lá. Vou sentir sua falta, garoto. Sua subverssão fez bem pra mim, durante os meses que passamos juntos nesse ninho de gente louca.
- O que você trouxe pra mim?
- Bem, acho que posso dizer que é a minha última subverssão nesse lugar. Te trouxe champagne, duas taças, um isqueiro e um maço de Camel Lights, boa qualidade. Chame aquele pateta do seu amigo e vão aproveitar a noite juntos. Eu estou indo agora.
- O que o velho Blight disse sobre você estar indo embora?
(velho Blight é como os três, Johann, Greggory e Karismaki chamam do reverendo Peter Betty, o bisco diretor do colégio)
- Eu não disse pra ele, Johann Eu vou abandonar o emprego. Simplesmente sair sem avisar pra ninguém.
- Por quê?
- Bem, Johann. Eu não sei. Talvez alguém realmente vá sentir a minha falta. Talvez seja porque eu não acredito que faça diferença eu falar com Blight ou não. Mas acima de tudo, acho que é porque eu tenho esse espírito de revelia.
- Revelia?
- Sim, Johann! De ir contra as regras, contra as pessoas. Eu acho que eu sou assim. E você definitivamente é assim, Johann. E não reprima isso.
Johann subiu, foi até o quarto de Karismaki e juntos, correram para o quarto de Johann. Entraram, fecharam a porta, Johann abriu a caixa, tirou o chanpagne, abriu-o, serviu as duas taças, entregou uma delas para Karismaki, abriu o maço de cigarros, tirou um deles, acendeu, entregou-o para Karismaki, pegou outro, acendeu e saboreou sua taça de chanpagne. Tinha gosto de alcóol (Johann conhecia esse gosto muito bem), maça, e poder. Johann estava ergendo o copo em direção a sua boca quando o reverendo Betty abriu repentinamente a porta do quarto. Karismaki, em um gesto automático, levou a mão com o cigarro para suas costas e deixou cair a taça de chanpagne. Johann por outro lado, cumpriu seu objetivo primário: levou um pouco da bebida para a boca. O reverendo, ao ver a atitude de Johann ficou absolutamente perplexo e gritou:
- Johann!
Johann não havia engolido o chanpagne que levara anteriormente a sua boca. Cuspiu-o completamente no reverendo.
quarta-feira, 11 de março de 2009
MERRY TELEVISION TO YOU
Johann estava em uma avenida, em frente a um grande lote vago sendo que havia um ônibus de viagem estacionado dentro dele. Haviam várias pessoas que, assim como Johann estavam esperando para pegar esse ônibus.
Um negro uniformizado, barrigudo e de bigode abriu a passagem e as pessoas começaram a entrar no ônibus. Johann entrou e se sentou na cadeira 23-B, na janela e ao que parecia, ninguém se sentaria ao seu lado. Mas nas poltronas de trás se sentaram dois adolescentes e o amigo deles se sentou na poltrona do corredor, ao lado deles. Eles conversavam sobre o filme que iriam ver e Johann começou a se perguntar aonde estava e para onde estava indo e de repente se lembrou que realmente não fazia a menor idéia de como havia chegado ali.
Ele pegou um jornal e começou a ler o primeiro caderno, chamado "Hoje". Não conseguia entender muito do que estava lendo, apenas o suficiente pra saber que se tratava provavelmente de um artigo bíblico.
Uma assistente de bordo começou a passar, poltrona por poltrona, recolhendo o dinheiro do que provavelmente seria a passagem, já que Johann não se lembrava de ter pago nada para estar ali. Quando ela iria passar pela cadeira de Johann, ela o pulou, indo direto para os adolescentes que estavam atrás dele. Depois ela terminou de cobrar todas as passagens e voltou para a frente do ônibus.
Johann quis olhar para trás pra dar uma olhada nos adolescentes tagarelas que discutiam sobre as piores adaptações de quadrinhos para o cinema que ele conhecia. Ele olhou e viu um garoto branco de cabelos escuros e olhos azuis com uma camisa verde. Na estampa da camisa Johann e sua banda estavam lá, estuprando uma garota. Morta.
Longe dali, Eisner ouvia "Brown eyed girl" enquanto fumava um cigarro de maconha.
Um negro uniformizado, barrigudo e de bigode abriu a passagem e as pessoas começaram a entrar no ônibus. Johann entrou e se sentou na cadeira 23-B, na janela e ao que parecia, ninguém se sentaria ao seu lado. Mas nas poltronas de trás se sentaram dois adolescentes e o amigo deles se sentou na poltrona do corredor, ao lado deles. Eles conversavam sobre o filme que iriam ver e Johann começou a se perguntar aonde estava e para onde estava indo e de repente se lembrou que realmente não fazia a menor idéia de como havia chegado ali.
Ele pegou um jornal e começou a ler o primeiro caderno, chamado "Hoje". Não conseguia entender muito do que estava lendo, apenas o suficiente pra saber que se tratava provavelmente de um artigo bíblico.
Uma assistente de bordo começou a passar, poltrona por poltrona, recolhendo o dinheiro do que provavelmente seria a passagem, já que Johann não se lembrava de ter pago nada para estar ali. Quando ela iria passar pela cadeira de Johann, ela o pulou, indo direto para os adolescentes que estavam atrás dele. Depois ela terminou de cobrar todas as passagens e voltou para a frente do ônibus.
Johann quis olhar para trás pra dar uma olhada nos adolescentes tagarelas que discutiam sobre as piores adaptações de quadrinhos para o cinema que ele conhecia. Ele olhou e viu um garoto branco de cabelos escuros e olhos azuis com uma camisa verde. Na estampa da camisa Johann e sua banda estavam lá, estuprando uma garota. Morta.
Longe dali, Eisner ouvia "Brown eyed girl" enquanto fumava um cigarro de maconha.
quinta-feira, 5 de março de 2009
YOUR NEW "STUDIO ONE"
Johann olhou para o que havia acabado de escrever:
"take a special careful with me/
I am the greatest man of the town/
while I hand up my whyski/
no bloke can let me down"
Johann simplesmente não podia acreditar aonde chegara. E o fizera tão rápido. Há alguns anos atrás, ele e seus quatro amigos, sendo eles Sam, Eliott, Theo e Divah, eram apenas crianças brincando com guitarras, baterias e versos de Ginsberg. Não havia legitimidade na idéia dessas crianças, mas também não havia compromisso. Encarnar beatniks no início do século XXI era apenas a maneira que eles tinham de expressar o que sentiam. Portanto, não importava-os que o seu som fosse vintage de Beatles muito menos que as suas composições fossem de autoria de poetas mortos, eles estavam ali pra se comunicarem com o mundo, à base de álcool e drogas.
Mas a brincadeira fora longe demais. Quatro anos depois, Johann e seus amigos salvaram o rock 'n roll e esse era um fardo que ele não poderia suportar. Sua banda destruiu o mundo: ilegitimou o rock. Porque para Johann, a essência do rock 'n roll estava na sinceridade, estava nos sentimentos que viam de dentro para fora. Se todos os sentimentos que demonstraram então, haviam sido públicados em livros baratos, seu rock era ilegítimo. Mas salvou o movimento inteiro. Consequentemente, o aniquilou. E a culpa, Johann pensava, era toda dele.
Johann estava numa espécie de camarim, e faltavam em torno de vinte minutos para começar o show. Divah, o baterista da banda, entrou no camarim. Fumava.
- Deixa eu dar uma olhada nisso.
- Não, respondeu Johann, amassando o pequeno e falho verso, jogando-o no lixo logo em seguida.
- Qual o problema?
- Eu tive uma epifania.
- Você teve o que?
- Eu tive uma visão, Divah!
- Oh. E o que você viu nela?
- Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura...
- Como assim?
- ... morrendo de fome...
- Johann...
- Divah, eu não posso fazer mais isso. A banda.
- Por quê?
- Porque é uma falsidade. Eu tive uma epifania.
- Você vai deixar a banda?
- A banda me deixou, Divah. Desde o começo. Eu tive uma epifania.
- Vai se foder. Você vai deixar a banda.
- Vou fazer esse show, mas todos os outros vão ser cancelados. Eu preciso fazer isso. Há quanto tempo nos conhecemos, Divah?
- Johann, voce não pode...
- Quantos anos você tem?
- Dezenove.
- Nós nos conhecemos há dezenove anos. Você vai ter que compreender. Eu tive uma epifania.
- Você pode enfiar sua epifania na bunda.
Divah pegou Johann pelo colarinho, levantou-o e jogou-o ao chão e depois deu pontapés, em nenhum lugar específico, apenas ficou chutando, acertando onde desse. Na epifania, Johann estava estendido no chão de terra, em uma cidade antiga onde as ruas estavam encharcadas de poças d'água, como se tivesse chovido há pouco tempo mas, ao invés de água, tinha sangue. Ele não conseguia se mexer, e tudo que podia ver era uma garota que ele reconhecia bem, sendo estuprada por um homem de terno. O homem a violou uma depois duas vezes. Levantou, fechou o zíper da calça, olhou para Johann e disse:
- Obrigado.
"take a special careful with me/
I am the greatest man of the town/
while I hand up my whyski/
no bloke can let me down"
Johann simplesmente não podia acreditar aonde chegara. E o fizera tão rápido. Há alguns anos atrás, ele e seus quatro amigos, sendo eles Sam, Eliott, Theo e Divah, eram apenas crianças brincando com guitarras, baterias e versos de Ginsberg. Não havia legitimidade na idéia dessas crianças, mas também não havia compromisso. Encarnar beatniks no início do século XXI era apenas a maneira que eles tinham de expressar o que sentiam. Portanto, não importava-os que o seu som fosse vintage de Beatles muito menos que as suas composições fossem de autoria de poetas mortos, eles estavam ali pra se comunicarem com o mundo, à base de álcool e drogas.
Mas a brincadeira fora longe demais. Quatro anos depois, Johann e seus amigos salvaram o rock 'n roll e esse era um fardo que ele não poderia suportar. Sua banda destruiu o mundo: ilegitimou o rock. Porque para Johann, a essência do rock 'n roll estava na sinceridade, estava nos sentimentos que viam de dentro para fora. Se todos os sentimentos que demonstraram então, haviam sido públicados em livros baratos, seu rock era ilegítimo. Mas salvou o movimento inteiro. Consequentemente, o aniquilou. E a culpa, Johann pensava, era toda dele.
Johann estava numa espécie de camarim, e faltavam em torno de vinte minutos para começar o show. Divah, o baterista da banda, entrou no camarim. Fumava.
- Deixa eu dar uma olhada nisso.
- Não, respondeu Johann, amassando o pequeno e falho verso, jogando-o no lixo logo em seguida.
- Qual o problema?
- Eu tive uma epifania.
- Você teve o que?
- Eu tive uma visão, Divah!
- Oh. E o que você viu nela?
- Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura...
- Como assim?
- ... morrendo de fome...
- Johann...
- Divah, eu não posso fazer mais isso. A banda.
- Por quê?
- Porque é uma falsidade. Eu tive uma epifania.
- Você vai deixar a banda?
- A banda me deixou, Divah. Desde o começo. Eu tive uma epifania.
- Vai se foder. Você vai deixar a banda.
- Vou fazer esse show, mas todos os outros vão ser cancelados. Eu preciso fazer isso. Há quanto tempo nos conhecemos, Divah?
- Johann, voce não pode...
- Quantos anos você tem?
- Dezenove.
- Nós nos conhecemos há dezenove anos. Você vai ter que compreender. Eu tive uma epifania.
- Você pode enfiar sua epifania na bunda.
Divah pegou Johann pelo colarinho, levantou-o e jogou-o ao chão e depois deu pontapés, em nenhum lugar específico, apenas ficou chutando, acertando onde desse. Na epifania, Johann estava estendido no chão de terra, em uma cidade antiga onde as ruas estavam encharcadas de poças d'água, como se tivesse chovido há pouco tempo mas, ao invés de água, tinha sangue. Ele não conseguia se mexer, e tudo que podia ver era uma garota que ele reconhecia bem, sendo estuprada por um homem de terno. O homem a violou uma depois duas vezes. Levantou, fechou o zíper da calça, olhou para Johann e disse:
- Obrigado.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
CLEAR! SHARP! BRIGHT!
Eisner havia recentemente adquirido o hábito de comprar livros policiais baratos. Ele admitia que não lia o bastante, mas histórias de crime e mistério sempre o fascinaram. Mesmo na mais recente onda de Chandlers e Goodis, Eisner continuava sem o hábito de estar constantemente lendo um livro, isso porque histórias de crime e mistério não tinham uma atmosfera compatível com o calor infernal que fazia lá fora. Por esse motivo, visando aproveitar ao máximo de toda a literatura que tivesse a paciência de acompanhar, ele esperava despretenciosamente uma atmosfera agrádavel para poder ler um de seus livros baratos. E hoje era um desses dias.
Junto de Eisner no ônibus estava uma criança chamada Julian. Os dois haviam se conhecido há pouco mais de um ano, mas quando Eisner começou a namorar a vizinha de Julian, os dois acabaram se aproximando mais. Julian gostava de Eisner e este se perguntava qual seria o motivo. Não que tivesse algum problema de auto-estima grave, mas porque nunca se esforçara especialmente para sustentar esse tipo de relação com a criança. Achava que ele simplesmente passava tempo demais com ela. Na verdade tudo que Eisner fazia era olhar o garoto, quando a mãe, o pai ou o irmão não podiam. E essa era uma dessas horas.
Eisner estava lendo a introdução de "A lua na sarjeta" quando um de seus amigos o reconheceu dentro do ônibus. O nome dele era André:
- Oi cara - ele disse.
- E aí, André - respondeu.
- Eisner, ontem eu assisti um filme do Woody Allen.
- Qual?
- The sleeper.
- Sério?
- Sim. Foi um bom filme.
- Isso é estranho, porque eu assisti ao mesmo filme ontem.
- Sério?
- Sim.
- Bom, eu aprendi que o Allen tem uma visão extremamente pessimista sobre a democracia e que a Diane Keaton jamais deveria fazer comédias que exigissem gag visual novamente.
- Você tá certo. Acho que ele nunca mais fez mesmo.
- Onde você vai passar o carnaval?
- Em casa. Sozinho.
- Vai fazer alguma coisa?
- Acho que não. E você?
- Não. Acho que não.
Eles pararam de conversar por alguns instantes, e André surgiu com um novo assunto:
- A Alicia me mostrou algo que você escreveu esses dias.
- O que ela te mostrou?
- Acho que era um poema. Ou então eram apenas algumas frases, eu não sei. O nome era "Flathead".
- "Apenas algumas frases", eu não definiria melhor.
- Você é aboslutamente auto-biográfico. Eu sei o que aconteceu quando você não quis ir no "Obra" aquele sábado.
- E quem te contou?
- Você dormiu na casa desse garoto. E quando você acordou, não tinha ninguém em casa. Só você e o pai dele.
- Quem te contou?
- E você tomou café lá. E ele te perguntou uma coisa e você ficou com tanta raiva que saiu na mesma hora de lá e foi pra sua casa, e aí já eram quase nove horas da manhã quando você chegou. Nove horas da manhã do domingo.
- André, quem te contou?
- Acho que você fez certo em sair de lá naquela hora. Eu não teria agido de outra maneira. O difícil vai ser encarar a família da sua namorada novamente. Você eventualmente vai acabar tendo que encará-los.
- Não tenho tanta certeza disso.
- Você não pode terminar. Você sabe disso. Não por ela, mas por toda a problemática e todo o constrangimento que a separação de vocês pode acarretar. Você tá meio preso e a razão disso é puramente social.
- André, quem te contou o que aconteceu comigo e com o pai do Julian?
- Eisner, eu estava lá.
Julian estava jogando algo no seu PSP e deu uma rápida olhada para Eisner. Eisner reparou nos olhos do garoto e ficou com essa imagem na cabeça. Rodolfo disse que não havia mais gin para Eisner naquela noite.
Junto de Eisner no ônibus estava uma criança chamada Julian. Os dois haviam se conhecido há pouco mais de um ano, mas quando Eisner começou a namorar a vizinha de Julian, os dois acabaram se aproximando mais. Julian gostava de Eisner e este se perguntava qual seria o motivo. Não que tivesse algum problema de auto-estima grave, mas porque nunca se esforçara especialmente para sustentar esse tipo de relação com a criança. Achava que ele simplesmente passava tempo demais com ela. Na verdade tudo que Eisner fazia era olhar o garoto, quando a mãe, o pai ou o irmão não podiam. E essa era uma dessas horas.
Eisner estava lendo a introdução de "A lua na sarjeta" quando um de seus amigos o reconheceu dentro do ônibus. O nome dele era André:
- Oi cara - ele disse.
- E aí, André - respondeu.
- Eisner, ontem eu assisti um filme do Woody Allen.
- Qual?
- The sleeper.
- Sério?
- Sim. Foi um bom filme.
- Isso é estranho, porque eu assisti ao mesmo filme ontem.
- Sério?
- Sim.
- Bom, eu aprendi que o Allen tem uma visão extremamente pessimista sobre a democracia e que a Diane Keaton jamais deveria fazer comédias que exigissem gag visual novamente.
- Você tá certo. Acho que ele nunca mais fez mesmo.
- Onde você vai passar o carnaval?
- Em casa. Sozinho.
- Vai fazer alguma coisa?
- Acho que não. E você?
- Não. Acho que não.
Eles pararam de conversar por alguns instantes, e André surgiu com um novo assunto:
- A Alicia me mostrou algo que você escreveu esses dias.
- O que ela te mostrou?
- Acho que era um poema. Ou então eram apenas algumas frases, eu não sei. O nome era "Flathead".
- "Apenas algumas frases", eu não definiria melhor.
- Você é aboslutamente auto-biográfico. Eu sei o que aconteceu quando você não quis ir no "Obra" aquele sábado.
- E quem te contou?
- Você dormiu na casa desse garoto. E quando você acordou, não tinha ninguém em casa. Só você e o pai dele.
- Quem te contou?
- E você tomou café lá. E ele te perguntou uma coisa e você ficou com tanta raiva que saiu na mesma hora de lá e foi pra sua casa, e aí já eram quase nove horas da manhã quando você chegou. Nove horas da manhã do domingo.
- André, quem te contou?
- Acho que você fez certo em sair de lá naquela hora. Eu não teria agido de outra maneira. O difícil vai ser encarar a família da sua namorada novamente. Você eventualmente vai acabar tendo que encará-los.
- Não tenho tanta certeza disso.
- Você não pode terminar. Você sabe disso. Não por ela, mas por toda a problemática e todo o constrangimento que a separação de vocês pode acarretar. Você tá meio preso e a razão disso é puramente social.
- André, quem te contou o que aconteceu comigo e com o pai do Julian?
- Eisner, eu estava lá.
Julian estava jogando algo no seu PSP e deu uma rápida olhada para Eisner. Eisner reparou nos olhos do garoto e ficou com essa imagem na cabeça. Rodolfo disse que não havia mais gin para Eisner naquela noite.
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