sábado, 2 de maio de 2009

ALMOST EVERYONE APPRECIATES THE BEST

Desde pequeno, Johann sempre fora um garoto complicado e incompreendido pelos seus pais. Aos onze anos de idade, ele fora flagrado com um pacote de marijuana na escola, fato que acarretou uma inevitável expulsão de um dos colégios mais tradicionais da cidade de Nova York. Um misto de fúria, vergonha, e impotência fizeram com que seu pai, um respeitado empresário no meio de modas, o enviasse para um colégio católico interno na Suiça. Com claras dificuldades para se adaptar às regras repressivas do local, Johann assumiu um comportamento exorbitantemente rebelde, em relação a colegas, professores e coordenadores - bispos e padres - do local.

Apesar disso, Johann desenvolveu fortes laços de amizade com duas pessoas daquele universo. A primeira, seu futuro companheiro de banda, Karismaki. A segunda, o zelador noturno chamado Greggory. Em uma das dolorosas noites naquele lugar, Johann foi acordado por pedras batendo na janela do seu quarto. Era o zelador.

- O que foi, Greg?
- Desça aqui embaixo, garoto. Tenho um presente pra te entregar.

O zelador não era tão velho. Tinha lá os seus trinta anos, andava sempre com um macacão bege. Era magro, tinha olhos e cabelos negros, andava sempre com a barba malfeita e muito, muito sujo.

- O que você tem, Greg?
- Eu estou indo embora, Johann. Vou fazer minha grande escapada.
- Uau. Por quê? Pra onde você vai?
- Vou pra América do Sul. Recebi uma oferta irrecusável de um trabalho lá. Vou sentir sua falta, garoto. Sua subverssão fez bem pra mim, durante os meses que passamos juntos nesse ninho de gente louca.
- O que você trouxe pra mim?
- Bem, acho que posso dizer que é a minha última subverssão nesse lugar. Te trouxe champagne, duas taças, um isqueiro e um maço de Camel Lights, boa qualidade. Chame aquele pateta do seu amigo e vão aproveitar a noite juntos. Eu estou indo agora.
- O que o velho Blight disse sobre você estar indo embora?

(velho Blight é como os três, Johann, Greggory e Karismaki chamam do reverendo Peter Betty, o bisco diretor do colégio)

- Eu não disse pra ele, Johann Eu vou abandonar o emprego. Simplesmente sair sem avisar pra ninguém.
- Por quê?
- Bem, Johann. Eu não sei. Talvez alguém realmente vá sentir a minha falta. Talvez seja porque eu não acredito que faça diferença eu falar com Blight ou não. Mas acima de tudo, acho que é porque eu tenho esse espírito de revelia.
- Revelia?
- Sim, Johann! De ir contra as regras, contra as pessoas. Eu acho que eu sou assim. E você definitivamente é assim, Johann. E não reprima isso.

Johann subiu, foi até o quarto de Karismaki e juntos, correram para o quarto de Johann. Entraram, fecharam a porta, Johann abriu a caixa, tirou o chanpagne, abriu-o, serviu as duas taças, entregou uma delas para Karismaki, abriu o maço de cigarros, tirou um deles, acendeu, entregou-o para Karismaki, pegou outro, acendeu e saboreou sua taça de chanpagne. Tinha gosto de alcóol (Johann conhecia esse gosto muito bem), maça, e poder. Johann estava ergendo o copo em direção a sua boca quando o reverendo Betty abriu repentinamente a porta do quarto. Karismaki, em um gesto automático, levou a mão com o cigarro para suas costas e deixou cair a taça de chanpagne. Johann por outro lado, cumpriu seu objetivo primário: levou um pouco da bebida para a boca. O reverendo, ao ver a atitude de Johann ficou absolutamente perplexo e gritou:

- Johann!

Johann não havia engolido o chanpagne que levara anteriormente a sua boca. Cuspiu-o completamente no reverendo.

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