quinta-feira, 28 de maio de 2009

SUCH FAIRY CONFECTIONS AS CHILDREN DREAM OF

Kattie estudava medicina, primeiro ano, praticamente apenas teoria (Kattie não estava exatamente examinando cadáveres ainda, um dos motivos pelos quais ela entrou no curso de medicina, para começo de conversa). As aulas não eram exatamente interessantes, mas diabos!, estar imersa naquela atmosfera estudantil, inspirando juventude e expirando inconsequência. Kattie não ia para as aulas, ela ia para a universidade. Observar as pessoas conversando simplesmente a deixava fascinada. Ela reparava em tudo: do modo despreocupado como o pessoal costuma se sentar à grama ao movimento leve e espontâneo dos garotos e garotas fumando o cigarro, que dificilmente seria aquele vendido nas paradarias.
Kattie estudava medicina e sua aula havia terminado. Ela estava de pê à calçada esperando alguém. Ela tinha planos para aquele dia. Iria esperar pela carona para dirigir-se ao shopping. Pessoas legais estariam lá. Ventava. Ventava forte. Ela se lembrou que estava daquele jeito desde a hora em que saiu de casa.
Olhou para a esquerda; ninguém. Olhou para a direita; ninguém. Olhou para trás enquanto abria sua bolsa; ninguém. Voltou a olhar para a frente enquanto tirava um compacto estojo de maquiagens - apenas as absolutamente necessárias - da sua bolsa; não havia ninguém especificamente também, apenas carros passando alheios aos seus movimentos. Kattie abriu o estojo, se olhou no espelho, verificou que a maquiagem estava adequada ao que se esperava, mas retocou os lábios com batom vermelho e finalmente atrapalhou levemente o cabelo.

Eisner chegou. Parou o carro em frente a ela e desceu. Ele sorriu.
- Bom dia.
- Bom dia, Eisner. 20 minutos.
- Bom, eu acordei só agora...
- Não, 20 minutos é o tempo que nós temos para chegarmos ao Cittie.
- Sem problemas, então. Entra aí, Kat. - e ela entrou.

Depois de dar a partida, Eisner ligou o som do carro e conectou a ele o seu MP3 Player. Estava tocando PARTY GOES WILD, uma das bandas favoritas dos dois. Eles ouviram e cantaram juntos 'You only live once' e outras cinco músicas até chegaram ao Cittie, onde haviam muitas pessoas jovens reunidas.

sábado, 2 de maio de 2009

ALMOST EVERYONE APPRECIATES THE BEST

Desde pequeno, Johann sempre fora um garoto complicado e incompreendido pelos seus pais. Aos onze anos de idade, ele fora flagrado com um pacote de marijuana na escola, fato que acarretou uma inevitável expulsão de um dos colégios mais tradicionais da cidade de Nova York. Um misto de fúria, vergonha, e impotência fizeram com que seu pai, um respeitado empresário no meio de modas, o enviasse para um colégio católico interno na Suiça. Com claras dificuldades para se adaptar às regras repressivas do local, Johann assumiu um comportamento exorbitantemente rebelde, em relação a colegas, professores e coordenadores - bispos e padres - do local.

Apesar disso, Johann desenvolveu fortes laços de amizade com duas pessoas daquele universo. A primeira, seu futuro companheiro de banda, Karismaki. A segunda, o zelador noturno chamado Greggory. Em uma das dolorosas noites naquele lugar, Johann foi acordado por pedras batendo na janela do seu quarto. Era o zelador.

- O que foi, Greg?
- Desça aqui embaixo, garoto. Tenho um presente pra te entregar.

O zelador não era tão velho. Tinha lá os seus trinta anos, andava sempre com um macacão bege. Era magro, tinha olhos e cabelos negros, andava sempre com a barba malfeita e muito, muito sujo.

- O que você tem, Greg?
- Eu estou indo embora, Johann. Vou fazer minha grande escapada.
- Uau. Por quê? Pra onde você vai?
- Vou pra América do Sul. Recebi uma oferta irrecusável de um trabalho lá. Vou sentir sua falta, garoto. Sua subverssão fez bem pra mim, durante os meses que passamos juntos nesse ninho de gente louca.
- O que você trouxe pra mim?
- Bem, acho que posso dizer que é a minha última subverssão nesse lugar. Te trouxe champagne, duas taças, um isqueiro e um maço de Camel Lights, boa qualidade. Chame aquele pateta do seu amigo e vão aproveitar a noite juntos. Eu estou indo agora.
- O que o velho Blight disse sobre você estar indo embora?

(velho Blight é como os três, Johann, Greggory e Karismaki chamam do reverendo Peter Betty, o bisco diretor do colégio)

- Eu não disse pra ele, Johann Eu vou abandonar o emprego. Simplesmente sair sem avisar pra ninguém.
- Por quê?
- Bem, Johann. Eu não sei. Talvez alguém realmente vá sentir a minha falta. Talvez seja porque eu não acredito que faça diferença eu falar com Blight ou não. Mas acima de tudo, acho que é porque eu tenho esse espírito de revelia.
- Revelia?
- Sim, Johann! De ir contra as regras, contra as pessoas. Eu acho que eu sou assim. E você definitivamente é assim, Johann. E não reprima isso.

Johann subiu, foi até o quarto de Karismaki e juntos, correram para o quarto de Johann. Entraram, fecharam a porta, Johann abriu a caixa, tirou o chanpagne, abriu-o, serviu as duas taças, entregou uma delas para Karismaki, abriu o maço de cigarros, tirou um deles, acendeu, entregou-o para Karismaki, pegou outro, acendeu e saboreou sua taça de chanpagne. Tinha gosto de alcóol (Johann conhecia esse gosto muito bem), maça, e poder. Johann estava ergendo o copo em direção a sua boca quando o reverendo Betty abriu repentinamente a porta do quarto. Karismaki, em um gesto automático, levou a mão com o cigarro para suas costas e deixou cair a taça de chanpagne. Johann por outro lado, cumpriu seu objetivo primário: levou um pouco da bebida para a boca. O reverendo, ao ver a atitude de Johann ficou absolutamente perplexo e gritou:

- Johann!

Johann não havia engolido o chanpagne que levara anteriormente a sua boca. Cuspiu-o completamente no reverendo.