Johann estava em uma avenida, em frente a um grande lote vago sendo que havia um ônibus de viagem estacionado dentro dele. Haviam várias pessoas que, assim como Johann estavam esperando para pegar esse ônibus.
Um negro uniformizado, barrigudo e de bigode abriu a passagem e as pessoas começaram a entrar no ônibus. Johann entrou e se sentou na cadeira 23-B, na janela e ao que parecia, ninguém se sentaria ao seu lado. Mas nas poltronas de trás se sentaram dois adolescentes e o amigo deles se sentou na poltrona do corredor, ao lado deles. Eles conversavam sobre o filme que iriam ver e Johann começou a se perguntar aonde estava e para onde estava indo e de repente se lembrou que realmente não fazia a menor idéia de como havia chegado ali.
Ele pegou um jornal e começou a ler o primeiro caderno, chamado "Hoje". Não conseguia entender muito do que estava lendo, apenas o suficiente pra saber que se tratava provavelmente de um artigo bíblico.
Uma assistente de bordo começou a passar, poltrona por poltrona, recolhendo o dinheiro do que provavelmente seria a passagem, já que Johann não se lembrava de ter pago nada para estar ali. Quando ela iria passar pela cadeira de Johann, ela o pulou, indo direto para os adolescentes que estavam atrás dele. Depois ela terminou de cobrar todas as passagens e voltou para a frente do ônibus.
Johann quis olhar para trás pra dar uma olhada nos adolescentes tagarelas que discutiam sobre as piores adaptações de quadrinhos para o cinema que ele conhecia. Ele olhou e viu um garoto branco de cabelos escuros e olhos azuis com uma camisa verde. Na estampa da camisa Johann e sua banda estavam lá, estuprando uma garota. Morta.
Longe dali, Eisner ouvia "Brown eyed girl" enquanto fumava um cigarro de maconha.
quarta-feira, 11 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
YOUR NEW "STUDIO ONE"
Johann olhou para o que havia acabado de escrever:
"take a special careful with me/
I am the greatest man of the town/
while I hand up my whyski/
no bloke can let me down"
Johann simplesmente não podia acreditar aonde chegara. E o fizera tão rápido. Há alguns anos atrás, ele e seus quatro amigos, sendo eles Sam, Eliott, Theo e Divah, eram apenas crianças brincando com guitarras, baterias e versos de Ginsberg. Não havia legitimidade na idéia dessas crianças, mas também não havia compromisso. Encarnar beatniks no início do século XXI era apenas a maneira que eles tinham de expressar o que sentiam. Portanto, não importava-os que o seu som fosse vintage de Beatles muito menos que as suas composições fossem de autoria de poetas mortos, eles estavam ali pra se comunicarem com o mundo, à base de álcool e drogas.
Mas a brincadeira fora longe demais. Quatro anos depois, Johann e seus amigos salvaram o rock 'n roll e esse era um fardo que ele não poderia suportar. Sua banda destruiu o mundo: ilegitimou o rock. Porque para Johann, a essência do rock 'n roll estava na sinceridade, estava nos sentimentos que viam de dentro para fora. Se todos os sentimentos que demonstraram então, haviam sido públicados em livros baratos, seu rock era ilegítimo. Mas salvou o movimento inteiro. Consequentemente, o aniquilou. E a culpa, Johann pensava, era toda dele.
Johann estava numa espécie de camarim, e faltavam em torno de vinte minutos para começar o show. Divah, o baterista da banda, entrou no camarim. Fumava.
- Deixa eu dar uma olhada nisso.
- Não, respondeu Johann, amassando o pequeno e falho verso, jogando-o no lixo logo em seguida.
- Qual o problema?
- Eu tive uma epifania.
- Você teve o que?
- Eu tive uma visão, Divah!
- Oh. E o que você viu nela?
- Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura...
- Como assim?
- ... morrendo de fome...
- Johann...
- Divah, eu não posso fazer mais isso. A banda.
- Por quê?
- Porque é uma falsidade. Eu tive uma epifania.
- Você vai deixar a banda?
- A banda me deixou, Divah. Desde o começo. Eu tive uma epifania.
- Vai se foder. Você vai deixar a banda.
- Vou fazer esse show, mas todos os outros vão ser cancelados. Eu preciso fazer isso. Há quanto tempo nos conhecemos, Divah?
- Johann, voce não pode...
- Quantos anos você tem?
- Dezenove.
- Nós nos conhecemos há dezenove anos. Você vai ter que compreender. Eu tive uma epifania.
- Você pode enfiar sua epifania na bunda.
Divah pegou Johann pelo colarinho, levantou-o e jogou-o ao chão e depois deu pontapés, em nenhum lugar específico, apenas ficou chutando, acertando onde desse. Na epifania, Johann estava estendido no chão de terra, em uma cidade antiga onde as ruas estavam encharcadas de poças d'água, como se tivesse chovido há pouco tempo mas, ao invés de água, tinha sangue. Ele não conseguia se mexer, e tudo que podia ver era uma garota que ele reconhecia bem, sendo estuprada por um homem de terno. O homem a violou uma depois duas vezes. Levantou, fechou o zíper da calça, olhou para Johann e disse:
- Obrigado.
"take a special careful with me/
I am the greatest man of the town/
while I hand up my whyski/
no bloke can let me down"
Johann simplesmente não podia acreditar aonde chegara. E o fizera tão rápido. Há alguns anos atrás, ele e seus quatro amigos, sendo eles Sam, Eliott, Theo e Divah, eram apenas crianças brincando com guitarras, baterias e versos de Ginsberg. Não havia legitimidade na idéia dessas crianças, mas também não havia compromisso. Encarnar beatniks no início do século XXI era apenas a maneira que eles tinham de expressar o que sentiam. Portanto, não importava-os que o seu som fosse vintage de Beatles muito menos que as suas composições fossem de autoria de poetas mortos, eles estavam ali pra se comunicarem com o mundo, à base de álcool e drogas.
Mas a brincadeira fora longe demais. Quatro anos depois, Johann e seus amigos salvaram o rock 'n roll e esse era um fardo que ele não poderia suportar. Sua banda destruiu o mundo: ilegitimou o rock. Porque para Johann, a essência do rock 'n roll estava na sinceridade, estava nos sentimentos que viam de dentro para fora. Se todos os sentimentos que demonstraram então, haviam sido públicados em livros baratos, seu rock era ilegítimo. Mas salvou o movimento inteiro. Consequentemente, o aniquilou. E a culpa, Johann pensava, era toda dele.
Johann estava numa espécie de camarim, e faltavam em torno de vinte minutos para começar o show. Divah, o baterista da banda, entrou no camarim. Fumava.
- Deixa eu dar uma olhada nisso.
- Não, respondeu Johann, amassando o pequeno e falho verso, jogando-o no lixo logo em seguida.
- Qual o problema?
- Eu tive uma epifania.
- Você teve o que?
- Eu tive uma visão, Divah!
- Oh. E o que você viu nela?
- Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura...
- Como assim?
- ... morrendo de fome...
- Johann...
- Divah, eu não posso fazer mais isso. A banda.
- Por quê?
- Porque é uma falsidade. Eu tive uma epifania.
- Você vai deixar a banda?
- A banda me deixou, Divah. Desde o começo. Eu tive uma epifania.
- Vai se foder. Você vai deixar a banda.
- Vou fazer esse show, mas todos os outros vão ser cancelados. Eu preciso fazer isso. Há quanto tempo nos conhecemos, Divah?
- Johann, voce não pode...
- Quantos anos você tem?
- Dezenove.
- Nós nos conhecemos há dezenove anos. Você vai ter que compreender. Eu tive uma epifania.
- Você pode enfiar sua epifania na bunda.
Divah pegou Johann pelo colarinho, levantou-o e jogou-o ao chão e depois deu pontapés, em nenhum lugar específico, apenas ficou chutando, acertando onde desse. Na epifania, Johann estava estendido no chão de terra, em uma cidade antiga onde as ruas estavam encharcadas de poças d'água, como se tivesse chovido há pouco tempo mas, ao invés de água, tinha sangue. Ele não conseguia se mexer, e tudo que podia ver era uma garota que ele reconhecia bem, sendo estuprada por um homem de terno. O homem a violou uma depois duas vezes. Levantou, fechou o zíper da calça, olhou para Johann e disse:
- Obrigado.
Assinar:
Comentários (Atom)