Eisner e Julian e Alex acabavam de sair da Floriculture, onde os dois jovens renovaram o estoque semanal da proibidíssima Soma, um tipo de mistura alucinógena que havia conquistado a classe-média alta da cidade, quando resolveram parar em um trailer (o segundo naquele dia) para renovar as energias.
- Aristóteles estava errado: nem só de soma vive o homem, disse Alex.
Eram seis e meia da manhã de sábado, e Eisner estava tendo um começo de final de semana difícil. Todas as sextas ele fica com a responsabilidade de olhar Julian, mas os pais do garoto costumam chegar às onze horas da noite. Mas por causa de um assalto, o pai de Julian acabou parando no hospital, o que fez com que Julian ficasse sob a guarda de Eisner por algumas horas a mais.
Eles comeram e beberam soda e conversaram e Alex chegou a cochilar à mesa e depois decidiram ir embora. Eles atravessaram a rua e andaram um pouco em direção ao carro de Eisner, mas antes pudessem chegar ao veículo, uma senhora com cabelos loiros e curtos que usava óculos escuros e um belo casaco-sobretudo foi em direção a eles.
- Desculpe, rapaz, mas você pode me informar as horas?, disse a senhora se dirigindo a Eisner
- Não tenho., respondeu Eisner educadamente.
Os dois jovens e o garoto continuaram em direção ao carro, mas a senhora insistiu.
- Ora, vocês são jovens. Eu realmente preciso saber as horas e parece que todas as pessoas da cidade estão ocupadas demais em um sábado de manhã para informá-las. Você deve ter um celular, sim?, ela se dirigiu a Eisner novamente.
- Tudo bem., e Eisner enfiou a mão no bolso a procura do celular.
Enquanto Eisner procurava o telefone, a senhora finalmente tirou os olhos dele e olhou para Julian, com um sorriso sincero no rosto.
- É seu irmão?
- Sim., respondeu Eisner.
- Que garoto lindo.
Eisner tentava tirar o celular do bolso e nisso Alex percebeu que por trás dos óculos escuros da senhora, dois feixes de lágrimas escorriam pelo seu rosto de 44 anos. Ela ainda olhava para Julian, quando levou uma das mãos ao rosto, tapando a boca.
- A senhora tá bem?, perguntou Alex.
Como se a senhora voltasse a si, ela levantou a cabeça e saiu rapidamente, indo na direção oposta de Eisner, Alex e Julian. Os três acharam estranho, entraram no carro e estavam indo a caminho do hospital onde o baleado pai de Julian ansiava pela compania de seus dois filhos, que estavam sob a responsabilidade de Eisner.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
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